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Obras de Jorge Luis Martins

domingo, 8 de abril de 2012

Entrevista à Prefeitura de Candelária/RS

Entrevista escritor Jorge Luis Martins
03 de Abril de 2012


Na última sexta-feira, 30, o escritor gaúcho Jorge Luis Martins esteve na 10ªEdição da Feira de Candelária para divulgar o livro Meu Nome é Jorge. O autor narra sua trajetória de vida, uma história de abandono, sofrimento e superação. Jorge foi menino de rua, passou frio, fome, maus tratos, até o momento em que ressuscitou em vida.

Hoje, Jorge é formado em administração, corretor de imóveis, fez curso de inglês avançado e, é ator, tendo atuado em filmes como ‘O Homem que Copiava’,contracenando com Lazaro Ramos e em novelas como ‘Laços de Família’, exibida na Rede Globo, em 2000. Atualmente, é empresário no ramo de locação de veículo em Porto Alegre. O escritor está lançando ainda, o livro ‘O Menino da Caixa de Sapatos’, que conta sua história em uma linguagem infantil. Jorge destacou ainda, o documentário de 50 minutos (média metragem), baseado nos livros.

Acompanhe a entrevista feita pela Assessora de Imprensa da Prefeitura, Maieve Soares com Jorge Luis Martins:

1. Tu contas no teu livro, ‘Meu Nome é Jorge’ a tua trajetória de vida. Como foi pra ti escrever sobre tudo o que tu passaste na tua infância?

Foi muito instigante e muito difícil. Difícil por ter que reviver tudo àquilo que eu passei e relembrar, principalmente. Apesar, que nunca saiu da minha história, mas entrou na minha história e ficou dentro de mim de uma forma positiva. Eu pensava muito, por que as pessoas me pediam. Pessoas que estão vivas e que me conheciam daquela época, que me levavam em cemitérios, em veículos abandonados pra eu dormir, me telefonavam, pois sabiam que eu estava bem, me pediam para escrever, que eu era um exemplo e deveria colocar no papel, para que outras pessoas conhecessem minha história. Ainda mais, neste momento em que a droga, por exemplo, está muito presente na sociedade. Eu pensei muito. Eu tive muita coragem pra fazer tudo o que fiz na vida, passei o que passei, então pensei: eu acho que eu tenho coragem de escrever este livro. E se eu escrever, eu tenho que contar toda a verdade, não posso ser omisso. Aproveitando ainda, para que realmente fosse um exemplo para os jovens que não sonham, não almejam, possam se inspirar e enxergar uma luz no fim do túnel.


2. É difícil pra ti falar, escrever sobre tudo o que tu passaste?

Sim, claro. Eu sinto, eu sou muito sentimento, apesar de ser muito racional. A gente não consegue desassociar uma coisa da outra. Mas eu acho que somos responsáveis pelo nosso destino 90%, não podemos jogar pra sorte. Quando tu queres uma coisa, tu tens condições de chegar lá independente da tua classe social, do teu poder aquisitivo, da tua cor. Hoje, nós vivemos ainda, e eu sofri isso, muitos preconceitos, muita discriminação, então, o livro é uma mensagem da não discriminação, de que existe uma esperança, de que possa transformar comportamentos e quem sabe, mudar paradigmas.


3. Tu te vês como um exemplo para as crianças e jovens?

Eu deixo para que os outros enxerguem. Eu sempre digo que sou cabotino. Eu tenho que ser cabotino por que é a minha vida, é o meu livro e hoje o livro das pessoas por tudo o que está acontecendo. Mas de certa forma sim, sou um exemplo. Mas não ser um exemplo somente, mas um exemplo positivo, isso que é importante.


4. Tu destes uma entrevista para o canal 23 da SKY em que tu disseste que: “O que me trouxe tudo isso foi a minha vontade de viver, eu tinha muita fé, acreditava muito em Deus e foi a mão Dele que me ajudou a chegar onde eu cheguei”. Em algum momento tu perdeste a fé?

Nunca. Eu acho que estava tão fragilizado, que se eu perdesse a fé num momento desses, se eu fraquejasse, poderia não ter mais volta, cair nas drogas. Experimentei maconha. Mas experimentei maconha pra conhecer a maconha, mas não fui um seguidor da maconha, nem de nenhuma droga. A gente tem que ter um auto domínio, saber controlar as coisas, não deixar os vícios vencerem. E ter fé foi muito importante. Eu sempre acreditei muito, sempre tive muita fé em Deus. Eu venho de uma família religiosa, católica. Eu creio em um Deus e isso me ajudou muito.


5. Fala sobre teu livro para crianças, “O Menino da Caixa de Sapatos”.

O livro trabalha com a imaginação e com o desenvolvimento. A faixa etária é de 8 a 12 anos e trabalha muito com o desenvolvimento da linguagem interpretativa, entre a imaginação e o realismo. Essa idade é quando eles começam a fixar, materializar os seus sonhos.


6. E o lado ator de Jorge Luis Martins?

Eu nunca imaginava que seria um ator. Me encontraram na rua e comecei fazendo figuração. Eu era magrinho, diziam que eu era bonito, tinha o cabelo grande, hoje eu to quase careca (risos). Sofri muito fazendo figuração, ficava o dia todo pra fazer uma ponta, mas foi assim que eu comecei. Eu sempre achei que pra ser ator, tinha que fazer teatro e eu mergulhei direto no teatro, mas eu fazia muitas coisas ao mesmo tempo: teatro, estudo, trabalho, mas eu conseguia conciliar tudo. Fiz teatro no José Adão Barbosa, em Porto Alegre e depois me aperfeiçoei mais, fui pro Rio de Janeiro, fiz curso para televisão e cinema. Neste momento já estava trabalhando como ator, o meu primeiro trabalho foi o filme “O Homem que Copiava”, em que contracenei com Lazaro Ramos, aí eu comecei a fazer os longas metragens, depois fiz mais de 12 longas, mais os curtas da RBS TV e comerciais.
 

7. Qual o significado da palavra ‘acreditar’ pra ti?

Eu a traduzo no materializar, no acontecer. Eu a exemplifico no denominador comum, no que ela leva: O que te faz pensar? O que te faz acreditar? Primeiro que pra ti acreditar, tu tens que crer em ti e ter força de vontade. E aí sim, aí tu acreditando e materializando essa vontade que tu tem, colocando em prática, fazer acontecer. Pois não adianta só pensar em acreditar e não ir a luta, por que o acreditar não cai do céu, ele depende muito de ti.


8. Qual foi a maior lição de vida que tu aprendeste e que vai levar pra toda a tua vida com tudo o que tu passaste?

Várias coisas. Acreditar no ser humano, não discriminar ninguém, não ter preconceito, isso eu vou levar pro resto da minha vida. E sempre, na medida do possível, ajudar as pessoas.


9. Por que tu escolheste a frase da canção My Way, de Frank Sinatra "Se eu acertei, ou errei, fiz isso da minha maneira." Para resumir o livro Meu Nome é Jorge?

Eu me identificava mais. Até antes da minha formatura eu ouvia o diretor da faculdade dizer pra mim: Puxa, foi a música mais bonita que nós ouvimos na formatura. Então, eu me identifiquei muito, por que eu fiz do meu jeito, se eu acertei ou não, os outros que vão dizer agora até aonde eu cheguei, onde eu estou hoje, quem eu sou hoje. Me identifiquei muito por isso, por que eu fiz do meu jeito e acho que os outros responderão que eu acertei.


10. Sobre o documentário baseado no teu livro, o que tu pode nos adiantar? Como foi essa transformação do livro em Média Metragem?

Eu estou acreditando muito nele. E já estou sofrendo antecipadamente por que eu vou ser o protagonista. Eu vou te entregar o jogo: Ele começa comigo sentado em uma sala de cinema e na tela projetando o documentário e ali eu começo o relato. Tem em torno de 50 personagens, está orçado em R$ 600 mil. Estávamos na duvida entre um curta, ficção, mas eu acho que até mesmo para a comercialização, seria melhor um média metragem, 95 minutos, que será editado e vai cair pra 45, 50 minutos. O roteiro já está pronto, já entramos na Lei de Incentivo a Cultura (LIC). Já to sofrendo antecipadamente, por que é muito difícil, certas cenas que tem no livro, que é cutucar uma criança no porão com uma taquara, a saída do cemitério, então, tem cenas que são chocantes, mas que vão traduzir a realidade do ser humano e do povo.




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