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A presença de Jorge Luis Martins movimentou o Colégio Sinodal Rui Barbosa ontem (10). O autor de “Meu Nome é Jorge” conversou com estudantes do sexto ano ao Ensino Médio pela manhã sobre a obra que conta a história de sua vida. Antes da chegada do autor, os estudantes leram a obra e realizaram trabalhos. À noite, ele palestrou a partir do tema “Falando Verdades” para a comunidade escolar. As atividades reuniram dezenas de pessoas no auditório do colégio e integraram o último dia do 4º Rodalê. Segundo a coordenadora do Ensino Médio e professora de língua portuguesa, Raquel Amende Leal, o projeto envolveu mais de 700 estudantes, desde a educação infantil até os cursos técnicos.


Além de escritor, Jorge Luis Martins é ator profissional – com mais de 15 longas metragens, editor e corretor de imóveis. É formado em administração e psicopedagogia e possui uma locadora de veículos. Ele disse que estava muito satisfeito de visitar Carazinho e o Colégio Sinodal Rui Barbosa. “É uma troca entre os alunos, o corpo docente e eu. Estamos aprendendo muito. Está sendo gratificante para mim pela maneira como eles trabalharam o livro. 

Eles tinham uma expectativa muito grande pela minha chegada. Tinham uma curiosidade muito grande depois que leram o livro porque a realidade deles é diferente. Eles se identificaram com isso, mas quiseram me conhecer para constatar que isso é real e isto pode acontecer com qualquer pessoa”, destacou, referindo-se ao conteúdo da obra, que é autobiográfico. “O livro é a minha história. Tem muito Jorge por aí. Não necessariamente com este nome, mas que passam pelo que passei. O livro conta a minha história desde meu nascimento, que foi prematuro. Eu ficava numa caixa de sapatos que era o único lugar que minha avó tinha para me colocar. Minha mãe tinha problemas mentais e meu pai estava preso. Eu não tive nenhuma estrutura familiar. Somente minha vó até os 10 anos de idade, quando ela faleceu”, revela.

Depois do falecimento da avó, Martins passou a viver pelas ruas. “Eu dormia embaixo das casas, nos carros abandonadas e até no cemitério, em Novo Hamburgo. Eu era assediado pelos traficantes que queriam que os conduzisse e usasse drogas. Então, eu me desvencilhava. Fui pedinte e minha primeira profissão foi catador de papel”, relata.

Dois caminhos
“A vida oferece para a gente dois caminhos. O do bem e o do mal. Se cheguei aqui hoje é porque escolhi o caminho do bem”, diz o escritor. “Por isso, eu digo para os alunos que eles aproveitem a estrutura que eles têm, porque a realidade deles é outra. Eu não tive nenhuma estrutura, mas a única coisa que diferencia um ser humano do outro é a força de vontade, independente de ser rico, pobre, de ser branco ou negro. Essa vontade fez com que eu fizesse duas faculdades, me tornasse empresário, ator, escritor, editor e outras coisas que nem imaginava que teria capacidade e que eu consegui”, conta. Questionado se sentia orgulho da pessoa que se tornou, mesmo não tendo estrutura familiar e grandes oportunidades na vida, Martins destaca que “me orgulho até um certo ponto, porque o orgulho não pode ser em demasia. Numa certa época eu fiquei muito famoso e me questionaram o que eu faria com a fama. Então eu disse que eu a usaria para servir aos mais necessitados, retribuindo o que eu recebi”, opina.


Marco na vida
O escritor destaca que uma promessa que fez a avó o motivou a almejar uma vida diferente daquela que levava na infância. “Ela não queria falecer sem ouvir da minha boca que eu seria um homem de bem. Os valores que ela me deixou foram a minha motivação. Além disso, eu via toda a miséria que a gente passava, o que eu ouvia negativamente sobre o meu pai, que bebia que me batia e das pessoas que diziam que eu seria um marginal. Isto impulsionou-me a ser uma pessoa diferente”, concluiu.


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